UNCHAINED MELODY

THE END
Caros viajantes, companheiros das palavras e dos sonhos, cumplices da minha vivencia amorosa, amigos reais e outros virtuais...
Partilhei convosco os meus segredos, a minha “outra vida”, tudo aquilo que não posso nem quero assumir abertamente, aqui depositei muitas emoções que vivi no mais profundo do meu ser; o rumo que escolhemos nesta viajem que é a passagem por esta existência nem sempre é compativel com o nosso intimo, os nossos desejos mais secretos, aquilo que não confessamos aos melhores amigos.
A coberto de um simples "nickname", sem dar a cara, posso ser genuino.
Sou o que sempre fui, mas aqui, neste cantinho onde confidencio uma parte preciosa da minha vida tento ser apenas o XupaNuPipi, mas tenho de confessar- este blog começa a ter teias de aranha, eu mesmo começo a debater-me e a estrebuchar para me manter à tona, como se estivesse a afogar-me. Mas não, estou apenas a mudar.
Não digo Adeus, mas apenas obrigado!E deixo aqui um escrito antigo que é o mote de todo este blog - o amor, o erotismo, as recordações e a esperança.
L. e eu ...-Já havia tempo que não te via ... estás muito bonito ! o jocking faz-te bem!
Foi assim, de mansinho, que ela veio, sem aviso, sem despertar suspeitas; tinha enviado aquele sms, a avisar que me vinha visitar “ amanhã passo pelo teu estaminé, tenho saudades”.
L. sempre me tinha provocado uma sensação de desconforto; bonita, inteligente, vivaça, sempre insinuante; adorava sair com ela, perdidos sem rumo nem compromissos; a sensualidade que dela brota confundia-me; dava muitas vezes comigo a observar discretamente as curvas bem delineadas, os ombros direitos, os seios e nádegas bem proporcionados, as suas longas pernas de gazela; transpirava sexo por todos os poros daquele corpo abençoado. Olhava-me directamente, aqueles olhos amendoados, da cor de um oceano sem fundo, tentando ler nas profundezas da minha alma. E sorria, sorria sempre, um sorriso maroto, algo coquette, ao mesmo tempo que deixava escapar uma frase: - lá estás tu a divagar, dizia, acariciando-me as mãos.
L. tem uma vida social e profissional super agitada, por isso ultimamente só a via muito de vez em quando; jantares de amigos comuns, passeios apressados, idas ao cinema, uma das nossas paixões comuns; não sei do que gostava mais- se das nossas conversas sem fim, se dos nossos infindaveis silencios, quando disputavamos palmo a palmo um jogo de xadrez; ou quando prolongavamos o olhar pelo horizonte, comungando de um momento único de cumplicidade.
A nossa amizade de longa data nunca permitiu senão algumas chalaças bem humoradas, apesar dos abraços apertados e demorados, propositadamente demorados.
Ela nunca me tinha dito aquilo: - estás muito bonito !
Meu Deus, porque vieste L. , logo hoje, que me sinto tão só ?...
Parecia que me tinha dado um murro no estômago. Tinha um pressentimento, uma sensação esquisita que me angustiava, desde que tinha recebido aquele sms – “ ... tenho saudades “ ! .
Só de olhar para mim L. sabia o inferno que me devorava as entranhas, mas nada disse. Entrou, poisou a mala e abraçou-me, ternamente. Depois de um longo silêncio, atirou, sem piedade : - é esta semana !
Senti que o ar me faltava, à minha volta desmoronava-se todo um mundo, deixando ruínas onde outrora pulsara o meu coração. L. sempre tinha tido a ideia de ir viver em França, impelida pela insaciàvel furia de viver, conhecer novos mundos, novas pessoas, "a terra onde viveu Alexandre Dumas", como gostava de dizer ... eu sabia que esse dia chegaria, tao infalivel como a marcha do tempo, tao inevitàvel e previsivel.
Os labios dela percorriam-me a face, lambendo as lágrimas que caíam, silenciosamente, sem me dar conta. Não podia ser, ela não me podia fazer isto ... - Porquê, porquê L.? Sempre me disses-te que a nossa amizade nunca teria fim, que nos acompanharia eternamente, nesta e em outras vidas. Não consegui dizer nada, apenas chorava, deixando correr o vazio que sentia,amparando a minha dor sem fim nos braços ternos de L.
Foi quando me apercebi que os lábios dela se tinham entreaberto, colados aos meus, beijando-me deliciosamente, percorrendo com a lingua furiosa a minha boca, o sabor dela misturando-se com o sal da minhas lágrimas ...
Sem me ter ... tanto para lhe dizer, mas as palavras não saiam, apenas as mãos percorrendo-lhe o corpo, explorando o que eu sempre me havia negado. O cheiro perfumado dela atordoava-me, aumentando o fervor dos meus gestos. Fui acariciando os seus segredos, num misto de luxuria e carinho, o coração sangrando num corpo incandescente, numa espiral de prazer selvagem, saciando o desejo reprimido durante tanto tempo. L. gemia sem parar, ofegando ao mesmo ritmo que eu, num delirio estranho e misterioso. Afogámo-nos num mar de prazer, dois seres perdidos no tempo, fundidos no calor da carne, sexo com sexo, mãos nas mãos, olhos nos olhos, fruindo da magia que nos tocava.
Deixámo-nos ir, perdidos de tudo, saboreando cada momento, até ao climax, um orgasmo divino e irracional. O mundo deixou de girar, parou, suspenso de nós, um silencio ensurdecedor, apenas o meu coração batendo, junto ao dela.
Os sons nostálgicos da canção faziam-se ouvir ...” only you “ ... era o meu velho gira-discos, tocando um vinil antigo dos Platter´s, destruindo o que de mim sobrava.
Queria poder gritar aos sete ventos a dor que me sufocava, enquanto abraçados, trocavamos um ultimo beijo.
Até sempre ... L.
Etiquetas: ADEUS, AMOR, erotismo, esperança, recordação


















